
The Final Frontier, 15º álbum de estúdio do Iron Maiden, mostra uma banda amadurecida, com composições longas e complexas, mas amparadas naquilo que se propôs a fazer durante quase três décadas de carreira: Hard Rock puro.
Parece que a estrada chegou ao fim para esta banda inglesa com mais de três décadas de existência, 15 álbuns de estúdio e dezenas de canções memoráveis. The Final Frontier, lançado quatro anos após A Matter of Life and Death (2006), traz um tom apocalíptico e mais consternado da banda, que se tornou um dos maiores nomes do Heavy Metal de todos os tempos.
Parece que a estrada chegou ao fim para esta banda inglesa com mais de três décadas de existência, 15 álbuns de estúdio e dezenas de canções memoráveis. The Final Frontier, lançado quatro anos após A Matter of Life and Death (2006), traz um tom apocalíptico e mais consternado da banda, que se tornou um dos maiores nomes do Heavy Metal de todos os tempos.
Desde o álbum de estreia, em 1980, o Iron Maiden mantém a fórmula simplista de um Hard Rock puro, com guitarras descontroladas e solos espetaculares, sem invenções. A exemplo de outros “dinossauros” do Rock que ainda se mantém ativos, como o AC/DC e Ozzy Ousbourne, que lançaram discos recentemente, a banda faz música para os fãs mais antigos, não para o mercado.
The Final Frontier traz uma espécie de compilação de duas fases distintas da banda: o rock direto e ensurdecedor de The Number Of The Beast (1982) e Fear Of The Dark (1992), e a progressividade e o experimentalismo que marcaram os álbuns lançados entre 1983 e 1990, principalmente Piece of Mind (1983).
Bruce Dickinson continua em forma, com agudos difíceis e bem colocados, pelo menos em estúdio, já que as canções são de extrema dificuldade de execução ao vivo, e o resultado no palco ainda é uma incógnita. Nesta linha, a progressividade é a marca de boa parte das músicas, com longos solos instrumentais, pausas e variações de melodia, como em The Man Who Would Be King, um épico de quase nove minutos que começa em clima suave, abre para um coro de guitarras, e daí em diante se desdobra em várias peças melódicas que parecem verdadeiras óperas, tamanha a complexidade das melodias. Essa intensa variação também ocorre em faixas como The Talisman e Starblind, músicas longas e complexas.
Os temas também já não são os mesmos. Ocultismo, escuridão, morte e crítica à religião ainda estão presentes, claro, mas o que norteia grande parte das composições é o clima de apocalipse. Tanto a vocalização de Dickinson, teatral e sussurrada em alguns trechos, quanto à penumbra que reina nas melodias, preparam o cenário para trechos emblemáticos, como na faixa Satelite 15, em que Dickinson dispara: “Eu não tenho arrependimentos, mas gostaria de poder falar com minha família para dizer-lhes um último adeus...é a fronteira final”. O “fim do mundo” propriamente dito, é retratado em Isle Of Avalon, onde a letra diz: “Eu posso ouvi-los flutuando no vento, suas almas imortais chorando me entristecem, Terra Mãe, você sabe que seu tempo está próximo”. Em Mothers of Mercy, melodia e peso na medida certa abrem espaço para a crítica social e o repúdio às guerras: “Ferido, deitado, chorando, corpos em movimento. Tudo por lá é o cheiro de morte e de fogo. Aqui os aviões chegam, ouça os soldados correndo, matança em grande escala, porque estamos aqui neste lugar...estamos aqui para matar”.
O iron Maiden continua o mesmo, peso nas melodias, letras diretas e vocais rasgados. Depois de 30 anos, este pode ser o último disco de estúdio da banda, a julgar pela abertura e o fechamento do álbum, que inicia com bateria em ritmo marcial, guitarras pesadas e distorcidas, como se a música tentasse achar o seu lugar em meio a um caos sonoro. Depois de passar pelas incontáveis variações nas oito faixas seguintes, o encerramento com When The Wild Wind Blows se dá de forma lenta, ao som do vento, como se marcasse a tranquilidade do final do dia, o fim de uma jornada, o descanso, no caso do Iron Maiden, a fronteira final.
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